Rádio Campos Neutrais

(53) 99955-6605

 
Voz do Rio Grande

 Neste post, um resgate ao tempo falando das coisas do nosso pago escritas por nossa gente, um causo de galpão de autoria do nosso professor Edison Acunha, que muito contribuiu para a formação dos filhos da nossa terra, e com um brilhante "enganjamento" para a formação do Centro de Tradições Gaúchas Rodeio dos Palmares. 

Na foto, como forma de homenagear o nosso querido professor Acunha, (atualmente residindo em Porto Alegre), acompanhado da Sra. Ridan que foi a primeira prenda a implantar e usar uma faixa de couro no Estado do Rio Grande do Sul, na década de 70, acompanhados com Nico, Gaiteiro, em desfile na Barão do Rio Branco em Santa Vitória do Palmar, pela conquista de ter ser escolhida a primeira prenda do 3º Rodeio Crioulo do Rio Grande do Sul, hoje popularmente conhecido como FECARS - Festa Campeira do Rio Grande do Sul. 

 

HOSPITALIDADE

 Era mês de abril. Começava o período úmido e chuvoso. A colheita do arroz estava atrasada. Estávamos na zona dos Provedores. Fui acordado pelo seu Pedro para recolhermos tudo para dentro do galpão, pois iniciava um temporal.

 

 Cansados da correria de recolher os volumes de arroz colhido o dia antes, sacarias e arreios, sentamo-nos nas pilhas de fardos de sacos vazios a conversar. Seu Pedro enrolou um grosso cigarro de papel, botou no canto da boca e acendeu. Mais ou monos assim ele me contou um fato ocorrido há muitos anos no Arroito.

 

 O personagem do “causo”, é o mesmo de outros que já escrevi nesta coluna. Era um “castelhano” alto, gozador por natureza e talvez, se tivesse nascido na época do teatro, rádio e televisão, seria um comediante de primeira categoria. Muita gente o conheceu e deixou seu nome na incógnita porque muitas coisas poderão dizer que não era bem mais assim como eu conto, porém, outras pessoas que conheceram e leram minha coluna já me disseram o nome desse homem. O que ele fazia nada era por maldade ou desonesto, apenas cerva a sua vida de brincadeiras gostosas que ninguém conseguia resistir ou levar a sério, O seu vizinho do lado era um homem muito organizado. Certa ocasião estava ele arrumado um aramado com o seu “lindeiro”, quando avistou um homem com um lote de carneiros pela frente. Naquela época era comum virem uruguaios com rebanhos de carneiros e vender de estância em estância. Chegou perto do nosso personagem, saudou com aquele costume cordial da gente das bandas do Uruguai. Depois de falar sobre os animais, a seca e uma série de assuntos corriqueiros na campanha disse que lhe tinham informado quem poderia comprar-lhe o restante dos carneiros ou auxilia-lo nessa tarefa era o próprio com que estava falando. O vendedor não sabia com quem está falando, porque na chegada o nosso personagem deu o nome do vizinho e estava falando a língua portuguesa, por sinal muito “arrevesada”. Ele só sabia falar espanhol. O outro não se deu conta porque também era castelhano. Tudo já estava sendo preparado para mais um golpe ao vizinho organizado e metódico que era vítima, há anos, das brincadeiras do nosso “astro”. Quando o vendedor de carneiros perguntou onde morava o fulano, que seria ele mesmo, não teve dúvida e mostrou o estabelecimento do vizinho e disse que era ali. Disse que o homem procurado pelo vendedor de carneiros era um homem muito bom, muito “prolixo” e que gostava de visitas, sendo tudo o contrário. Disse que não tinha ninguém em casam pois os homens da casa tinham saído cedo para recorrer os campos da costa da Mirim e retornariam ao redor do meio-dia. Lhe explicou como devia proceder. Nosso personagem sabia que naquela época de tantas correrias, revoluções e salteadores, as mulheres quando estavam sozinhas, ao ver um viajante se encerravam dentro de casa, depois de fecha-la, até os homens voltarem. Talvez até seja daí que veio o nome de “MERGULHÃO” ao nosso homem do campo, pois, o BIGUÁ, quando vê movimento estranho mergulha ou se esconde, não sei como é. Seguindo as explicações do nosso personagem, o vendedor de carneiros, abriu a porteira do “guarda-pátio” e levou os carneiros e seu cavalo para o piquete ao lado do pomar. Potreiro, este que era reservado exclusivamente para o uso do cavalo de estimação do fazendeiro. Depois foi na pilha de lenha (lenha reservada só para ser usada no inverno) e trouxe um braçado para debaixo de um figueirão limpo e varrido, onde seria o último lugar onde o dono da estância iria fazer um fogo. Armou um fogaréu que chamuscava as pontas das folhas das árvores. Quando tinha brasas foi no “maçarico” e trouxe meia ovelha que o dono de casa tinha carneado ates de ir para o campo. Depois sentou-se com seu “mate” circular de castelhano a cevar com a “cambona”, de lata a saborear o chimarrão e esperar o dono da casa conforme tinha lhe ensinado o vizinho do lado. Ele achava que tudo estava certo, porém as mulheres que espiavam pelas frestas dos postigios, achavam que era um louco, pois estava fazendo tudo o que o marido e pai não deixava ninguém fazer. Quando vinha ao longe, num dia de verão, muito claro, os homens ficaram preocupados em verem aquele fogo e fumaça “nas casas”. O fazendeiro e seus filhos calçaram as esporas nos cavalos, fazendo-os correr até chegarem em casa. Esbarraram os cavalos, com os revolveres wm punho, onde o “castelhano” chimarreava, fumava e cuidava o churrasco, depois de ver a calma do visitante, resolveu ouvir a explicação para a sua maneira de agir.

 

 Quando o vendedor de carneiro lhe disse que estava bem informado da maneira dele ser pelo vizinho do lado, o fazendeiro entendeu tudo. Era mais uma arte do seu gozador vizinho. O fazendeiro não achava nem um pouquinho divertido essas brincadeiras que há anos vinha sofrendo.

 

Sejam bem-vindos “A VOZ DO RIO GRANDE”, está à disposição.

 

Antonio Ferrari.

Reg. MT 17688/RS.

vozdoriograndecn@gmail.com

 

""

Agora na Rádio


Enquete
O que Tu achou da nossa Radio?
Otimo
Bom
Regular
Ruim
Ver resultados

As mais pedidas
1
Sotaque Regional
Luciano Maia
2
Cancao Noiteira de Acalanto a Tropa
Fabiano Bacchieri
3
Me da um Xuxi
Mano Lima
4
Porque Hoje e Dia Santo
Leonel Gomez
5
No Coracao do Inverno
Adriano Gomes
6
Do meu Coracao
Lisandro Amaral
7
Rio Rebelde
Dante Ramon Ledesma
8
Nos Fundos de um Corredor
Giovani e Laureci
9
Menino Campeiro
Paulinho Mocelin e Grupo Coracao de Gaiteiro
10
Ginete Universitario
Capitao Faustino

Publicidade
Barbearia Canabarro
Correaria Brasil
CTG Tropeiros dos Campos Neutrais
WWN Internet
Agafarma
Aggrus
 
Rede Agafarma de Farmácias Barbearia Canabarro Correaria Brasil CT Tropilha Gaúcha CTG Tropeiros dos Campos Neutrais
Daia Jóias e Acessórios Dupla Giovani e Laureci Mimos da Gaby WWN Internet Intimidator Sonorizaçăo e DJ
Aggrus
  Radio Campos Neutrais - Todos os Direitos Reservados   Logo da Empresa