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Voz do Rio Grande Jornalismo Digital na Radio Campos Neutrais

Voz do Rio Grande – Jornalismo Digital é na Rádio Campos Neutrais.

 

 Buenas amigos e amigas da Campos Neutrais, é com imensa satisfação que estamos começando com a Voz do Rio Grade através do site da Rádio Campos Neutrais, e como não poderia ser mais que especial esta abertura do que contar a origem de uma personalidade à qual teve em sua propriedade o nascimento da Primeira Rádio interiorana de Santa Vitória do Palmar, diretamente da Estância Figueira Torta da localidade do Arroito, para o mundo...

Com todos vocês, Oscar Dário de Mello Terra...

 Corria o ano de 1934. Era um duro inverno de Agosto. A algazarra dos bem-te-vis e a brotação dos parreirais que, em outros anos, já anunciavam o sorriso da primavera, desta feita se fizeram de rogadas.

  A Fazenda do Meu avô Gonzaga, no rincão do Santiago, distava umas 14 léguas da cidade. Água encanada, luz elétrica e rádio, nem pensar. Os relógios eram acertados pela carta do nascimento e do pôr do sol, chamada roteiro. As notícias da Cidade, do País e do Exterior chegavam, mensalmente pela diligência, quando as estradas permitiam a passagem pelos arroios e sangas da vida, muitas vezes á nado.
Em caso de emergência ainda se podia contar, precariamente, com um postinho telefônico na Fazenda do Juvenal Lima, operado pelo seu Ambrózio e distante Légua e meia da Fazenda.

  Foi nesse cenário que, na madrugada de 2 de Agosto, na carruagem do meu avô, iniciamos a viagem ruma à Santa Vitória, à procura de recurso.
Além do meu saudoso Pai Oscar, na boléia da carruagem, entre ansioso e preocupado, viajavam minha mãe, Anna Maria, igualmente de saudosa memória, no limiar da maternidade e Eu, ainda no aconchego do ventre materno e, portanto, imune a chuva, ao vento, ao frio e ao barro que foram nossos companheiros de viagem.

  Cruzamos o tenebroso corredor do Santiago, o Campo Feio, o Campo Aberto do Dr. Manoel Vicente do Amaral, vencemos o Arroio dos Provedores, ultrapassamos a Sanga do João Maria Cardozo (na Canoa) e paramos rapidamente na Casa Patella para fiambrar e trocar um cavalo.

 À tarde paramos meia hora na venda do Corálio Bacelo (No Pau Fincado), ultrapassamos sem problemas o Arroio do Brejo, enfrentamos o corredor das Duas Palmas, o Boqueirão, o baixo do Camilinho e finalmente Santa Vitória do Palmar onde meu Pai entregou a carruagem e os cavalos aos cuidados da cavalariça do Hotel Uruguai, hoje Hotal Brasil, situado à Rua 13 de Maio nº 703, hoje Baráo do Rio Branco, na Região Central da Cidade, estrategicamente posicionado quase defronte a Farmácia Carmem, de Emídio Martino e a Residência do Dr. Amonte.

   Fomos então recepcionados e, mais do que isso, acolhidos fraternalmente pela proprietária do Hotel, Dona Tetéia, que nos destinou o confortável quarto nº27.

   Já era 15 de Setembro! A narrativa agora é da minha Mâe: “Há mês e meio que estamos aqui na cidade e Esperando a vinda de nosso filhinho! Como Estou ansiosa pela sua chegada! Oscar, nem se fala! Vive todo dia à sonhar com o seu Menino. Desejava tão ardentemente um menino e tem tanta certeza que vai ser homem, que já mandou por lâmina nova numa sua antiga faquinha de prata, para dar ao seu gurizinho, quando for maior.

 Já fiz mil projetos de futuro para o seu filhinho, Eu, apesar de desejar menina ou menino, com a mesma ternura, peço à Deus que seu grande sonho seja atendido para torná-lo, assim, completamente feliz.

    Hoje, terminei a colchinha branca, caseada e o lençolzinho enfeitado de filet, últimas coisas que faltavam para completar o enxovalzinho, modesto mas aumentado e embelezado com os muitos presentes recebidos.

 Tendo a parteira, Dona Dorila, afirmado que a criança só iria nascer em fins de Setembro, Oscar resolveu, no dia 16, dar uma volta no

Santiago para fazer a marcação e outros serviços de urgência.
Não tinha ele chegado aos Santiago e eu já começava a sentir as primeiras dores para, no dia 18 de Setembro nascer o menino às 7:00 horas da manhã, numa terça-feita.

  Acho-o muito gordinho e lindo! Tem os olhinhos claros e a cabecinha povoada de cabelos castanhos e compridos. Penso no Oscar e sinto ele não estar, neste momento, para compartilhar da minha grande alegria.
Dona Tetéia grita, alegremente, para a Arminda que está fora do quarto:
- Ganhamos um menino, Arminda! Seu Oscar está de Parabéns!

   O primeiro banho em Oscarzinho foi dado pela parteira, auxiliada por tia Arminda e Tia Chata, esposa do Tio Sebastião Estrela. Enquanto a parteira temperava a água para o banho, as Tias dispunham e aqueciam as roupinhas que ele ia vestir.

 Oscarzinho estava de olhinhos muito abertos e chorava, estranhando talvez o frio ou o contato da água.

 Dona Dorila Apressa-se em vesti-lo e deita-o bem aconchegadinho à mim. O quarto é posto em ordem e aberto para entrar Vovô Mello (Cap. Mello), Tia Doca e Titio Aires que vem conhecê-lo; entram também os priminhos Paulo Estrella e Otomar Pereira, bem como as crianças de Dona Tetéia, todos muito curiosos. Tia Arminda leva-o ao quarto da Vó Gregória que sempre se levanta mais tarde.

   Pelas 9:00 horas Oscar telefona, do posto do Juvenal Lima, sabendo de mim; Vovô Mello transmite-lhe a grata notícia.”

 À seguir Papai se toca á cavalo para a cidade, debaixo de um temporal desfeito, chegando encharcado, lá pelas 10 horas da noite do dia 18 e me abraça, ainda com o poncho molhado!

   O retorno ao Santiago, já com as estradas melhorando ao sopro do nordestão da primavera, foi planejado em duas etapas, para não me estressar muito. No primeiro trecho alcançamos a Fazenda do Sr. João Nunes, nos Afogados, que era amigo da família Terra.

  A carruagem estacionou debaixo de uma frondosa Figueira e uma das filhas do proprietário saltitava implorando para me embalar, enquanto a minha mãe descia os dois degraus da carruagem.

   A um embalo mais empolgado eu saí de dentro das mantas, que nem um torpedo, indo aterrissar no chão, ao lado das raízes da Figueira, só de fraldas e com o rosto cheio de terra. O tombo só não foi pior porque a Suzana era Anã.

   Foi, literalmente, o Primeiro beijo que dei neste torrão natal, que aprendi a amar incondicionalmente!

  Hoje, passados tantos anos, eu lembro dos familiares que já se foram, das amizades que ainda perduram, dos afetos anônimos que permearam minha vida profissional, das águas cálidas da Mirim que, nas férias, tantas vezes embalaram nossos filhos e netos, da família reunida aguardando o momento derradeiro em que o sol se afoga na lagoa, num funeral multicolorido, na dádiva que essa imensidão de água doce representa, enfim penso no privilégio de ainda ter alguma saúde para diariamente, ao menos por instantes, poder voltar o coração e o pensamento para o Sul.

 

Rio Grande, Setembro – 2018
 Oscar Dário de Mello Terra

 

  Agradecemos ao Sr. Oscar pela atenção e o registro. 

 

  Antonio Ferrari.

  Reg. MT 17688/RS.

vozdoriograndecn@gmail.com

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